Descobri que a minha menina tinha FIV

Por Carla Jacinto
Espero que meu depoimento faça algumas pessoas mudarem
a mentalidade tacanha que têm. Que se lembrem que se estivessem doentes
não gostariam que as mandassem abater ou as abandonassem na rua
Carla mora em Lisboa com 19 gatos. E conta de sua convivencia com Chi, gatinha soropositiva para AIDS felina.

Quando mudei de casa deixei a minha gatinha com meus pais. Passado algum tempo já não aguentava mais viver sem estes maravilhosos companheiros e resolvi adoptar um. Foi assim que encontrei a Chi. Estava em casa de uma senhora e procurava quem a adoptasse. Tinha cerca de 1 ano. Foi amor à primeira vista. Eu olhei, estendi os braços e ela saltou-me para o colo. Não a trouxe logo para casa pois ia ser esterilizada logo a seguir. Mas a coisa complicou: ela ficou doente depois da esterilização e não havia meio de melhorar. Eu ligava várias vezes mas a gata estava cada vez mais doente e eu a morrer de preocupação. Até que resolvi trazer a Chi cá para casa, já muito doente. Eu tinha decidido fazer tudo para que a minha menina ficasse boa. Levei-a à clinica veterinária ecomo não havia meio de a minha menina melhorar, fez-lhe os testes. Minha menina tinha FIV [imunodeficiencia felina]. Me perguntaram "e agora?" e a minha resposta foi "agora quero saber tudo sobre a doença e como podemos combatê-la". Feliz por eu não pensar sequer em dizer que não queria a gatinha, a veterinária explicou-me tudo o que eu precisava saber e iniciou um tratamento complicado. Busquei informações sobre a doença e falei com pessoas com gatos na mesma situação.

Foram meses mas a minha menina ficou bem e hoje é uma gata saudável, gordinha e feliz. Vive junto com os meus outros gatos, não lhes passou a doença e agradece toda e qualquer festa na barriga que lhe possam dispensar. Não, o FIV não é mortal só por si e não, o FIV não se transmite facilmente a outros gatos. Gatos com FIV tanto podem ter uma doença cedo como podem viver uma vida longa e saudável. Não é dificil viver com um gato com FIV, é só sermos conscientes, conhecermos a doença e estarmos dispostos a tratar o nosso gato como se de um ser humano com uma doença dificil se tratasse.