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"Garota adorável! ... que olhos! Bom...
não posso me esquecer que
já tenho uma namorada chamada Julie!
Mesmo assim, ela tem olhos adoráveis!
Talvez eu esbarre nela de novo algum dia."
[Batman em seu primeiro encontro com
a Mulher Gato]
POR JOSÉ OCTAViO STEVAUX GALVÃO
| HISTÓRIA | PERSONALIDADE
| FIGURINO | COMPANHEIROS
FELINOS |
 O
plano era perfeito. Ninguém desconfiava da desajeitada Srta. Peggs.
A festa seguia animada a bordo do navio e quase ninguém reparava
na simpática figura com roupas fora de moda e cabelos grisalhos
que circulava em sua cadeira de rodas pelo convés, entre os convidados.
Não havia como suspeitarem que não estava lá para festejar e sim
para conseguir por as garras no valioso colar de diamantes que também
estava na festa, e se não fosse pela intromissão do Cavaleiro das
Trevas ela teria saído dali alguns milhares de dólares mais
rica.
 Desde
sua primeira aparição na revista de histórias em quadrinhos do Batman
número #1[1] Selina Kyle, também conhecida como Mulher Gato, se
mostrou uma das personagens mais interessantes, se não a mais interessante,
do universo criado por Bob Kane um ano antes. 62 anos depois de
seu primeiro encontro com a dupla-dinâmica ela continua em forma:
a maior ladra de todos os tempos ainda está na ativa, hoje em seu
próprio título mensal [2].Depois de sua estréia, a mulher que usava
o longo vestido verde escuro com um generoso decote e botas de salto
alto conquistou cada vez mais os fãs. Dez anos depois de lerem sua
primeira história seus fãs foram finalmente presenteados
com a história de sua origem na revista Batman #62 de dezembro
de 1950: The Secret Life of Cat Woman. Após outro roubo Selina é
perseguida pelo vingador mascarado. Ao passar por um prédio em demolição
ela vê uma parede prestes a cair em cima do herói e sem pensar duas
vezes para de fugir e pula na direção de seu perseguidor que não
havia percebido o perigo. Batman se salva mas Selina é atingida
por um tijolo na cabeça e cai inconsciente. Preocupado com seu estado
Batman a leva à Batcaverna para receber os primeiros socorros. Ao
recobrar os sentidos Selina não sabe onde está e diz que é uma aeromoça
em um avião que sofreu um acidente, revelando assim parte de seu
passado. Com a queda do avião Selina bate a cabeça, perde a memória
e se torna a Mulher Gato. Batman conclui que ela sofre de amnésia
e conta a elas alguns dos roubos da Mulher Gato. Selina fica horrorizada
e diz que não quer ser uma criminosa. Batman e o comissário
Gordon então a liberam e ela abre uma petshop, se mantendo longe
do crime por vários anos.
Então, na revista Detective Comics #230, na
história Crimes of the Catwoman nós vemos Selina ler uma matéria
num jornal sobre sua supostacaptura pelo Batman. Brava por estar
sendo descrita como uma mulher ingênua e atormentada por alguns
vizinhos marginais que a ridicularizavam por sua vida tranquila
decide voltar à ativa sabendo que ninguém se atreveria a
tirar sarro da Mulher Gato. Ela então invade o departamento de polícia
e, no telhado, altera o Bat-sinal para mostrar um gato gigante nos
céus encobertos de Gotham City ao invés do sinal do morcego e publicamente
anuncia o retorno da Mulher Gato.
Alguns anos depois na revista Brave and Bold
#197, é publicada uma história de um universo alternativo onde Batman
se casa com a Mulher Gato. Depois de conseguir liberdade condicional
para Selina em troca de ajuda para capturar o Espantalho, Batman
faz confidencias a ela sobre seus pais e como se sente solitário
em sua missão de combate ao crime. Encorajada pela sinceridade do
Homem Morcego, Selina admite que havia inventado aquela história
de ter se tornado a Mulher-Gato após o acidente do avião. Ela então
conta que,mais nova, fora casada com um homem muito bonito e muito
rico que a violentava de tempos em tempos. Ela se divorciou dele,
que, vingativo, pegou de volta todas as jóias que havia dado para
ela, assim como cuidou para que ela ficasse sem um tostão. Buscando
vingança também, Selina arrombou o cofre e recuperou suas
jóias. Intoxicada pela força e independência que a personalidade
da Mulher Gata lhe trouxera, ela adotou o estilo de vida da ladra
felina por muitos anos. Eventualmente ela renunciou à vida de crimes
e se entregou para a polícia, foi julgada e enviada para a prisão
e é onde a vemos quando a história tem início.
A terceira versão da origem da Mulher Gato
surgiu com a reformulação do universo do Homem Morcego feita por
Frank Miller nos anos 80. Começou por Batman Ano 1 e O Cavaleiro
das Trevas, aclamada mini-série em quadrinhos. Na revista americana
Batman #404 aparece a nova Mulher Gato, agora uma prostituta em
uma das regiões mais barra pesada de Gotham City. É interessante
notar que embora a nova visão de Miller tenha revigorado o Batman,
mantendo-se atual até os dias de hoje a sua versão malandra 'de
rua' da Mulher Gato não foi tão popular. O longo cabelo preto, marca
registrada de Selina, foi trocado por um corte raspado a máquina
2. O traje de Mulher Gato vira um modelito de couro preto no estilo
Dominatrix e surgem pistas de que ela seja lésbica.
A versão atual da ladra felina, a quarta, teve
estréia em sua própria revista Catwoman #1. E já que agora a gata
ganhou um título próprio mensal suas origens ganharam uma
nova revisão com mais detalhes. Referências a suas experiências
passadas foram espalhadas nos primeiros números mas a origem oficial
apareceu somente na revista Catwoman #0 (depois de uma mega série
de todos os títulos da DC todas as revistas tiveram sua continuidade
interrompida e recomeçaram novamente do número 0) e novamente com
maiores detalhes na revista Catwoman Annual #2.
Agora
ela é a filha negligenciada de pai alcóolatra e viúvo.
Sua mãe morrera há tempos e Selina, aos 12 anos de idade, se torna
também órfã de pai. Após simplesmente avisar
a polícia pelo telefone sobre a morte de seu pai abandona o apartamente
e parte para as ruas. Roubando para sobreviver ela é apanhada e
enviada para um abrigo feminino. Ali cresce sem nenhum exemplo de
ética e desenvolve um forte senso de independência e auto suficiência.
Inspirada por exemplos que a cercavam Selina escolhe o roubo como
forma de obter as riquezas e o luxo que sempre desejara.
Depois de quase morrer no início de suas vida
criminosa ela resolve se tornar prostituta. Aproveita então
para, durante o expediente, conseguir informações de sua clientela
para usar em futuros roubos. mais tarde abandona seu cafetão e volta
a ser ladra em período integral. Percebe a limitação que é
depender de armas para se defender e estuda por um ano artes marciais
com muitos dos professores que ensinaram Batman a lutar (na versão
de Miller o professor de Selina é o ex boxeador Ted Grant). Por
sua infância e sua vida nas ruas Selina desenvolve a personalidade
que se tornou a marca registrada da Mulher Gato e de alguma forma
ao longo de sua jornada acaba desenvolvendo um código moral que
apesar de confuso é bastante sólido. É comum vermos a Mulher Gato
tomar o lado dos mais fracos e dos injustamente perseguidos e ela
é leal a seus amigos. Diferente dos outros bandidos de Gotham City
ela não mata, fazendo como os felinos que a inspiraram: prefere
passar desapercebida e evitar a violência sempre que possível.
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Desde sua primeira aparição a Mulher Gato
é mostrada como uma mestre dos disfarces. Em sua história de estréia,
assim que Batman revela a identidade real da Srta. Peggs, ela surge
trajando o tradicional vestido verde escuro decotado e sapatos de
salto alto brancos, ainda sem a máscara.
Em sua segunda aparição em Batman #2 ela novamente
está usando o vestido verde escuro longo mas agora usa também uma
capa amarela com capuz que não cobre o seu rosto.
É
em Batman #3 que vemos o primeiro traje oficial da Mulher Gato:
sempre ligada na moda ela agora usa um vestido marrom decotado como
o antigo verde, só que com uma sedutora abertura na frente
que mostra suas pernas. A capa é vermelha, sapatos de salto
alto azuis, acessórios marrons e uma máscara preta de gato. Mesmo
que a máscara sirva ao propósito de tornar a Mulher Gato mais parecida
com um gato, imagine o desconforto de usar uma máscara toda peluda
que cobre a cabeça inteira. Ainda nessa história, Selina, disfarçada
novamente, trabalha como modelo numa joalheria. Como a personagem
foi meio inspirada em Jean Harlow, ela usa peruca loira e um vestido
de cetim, marcas registradas da atriz. Depois de usar uma bomba
de luz para ofuscar a vista de todos, Selina dispara pelas escadas,
se livra da peruca e tira sua máscara de gato da bolsa antes de
desaparecer.
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Sua
próxima aparição acontece em Batman #10. Selina ainda usa a máscara
de gato, mas desta vez tem um uniforme preto para combinar com a
máscara e luvas com garras. Os olhos da máscara foram ligeiramente
aumentados e a capa agora é roxa.
No
meio da década de 40 Selina finalmente decide se acertar com o que
ficou conhecido como o traje clássico daMulher Gato: um vestido curto
na altura dos joelhos de cor roxa, capa verde e uma máscara roxa que
cobria apenas seus olhos. Os cabelos ficam soltos ao redor da máscara
e vemos a primeira aparição de seu chicote. Calça botas de salto alto
também roxas e usa este traje até desaparecer das HQ's em 1954.
Vamos
ver a Mulher Gato doze anos depois nas revistas LOIS LANE #70 e
#71. Além de ser a primeira aparição da Mulher Gato da Era de Prata
dos quadrinhos, ela veste o traje que usa até os dias de hoje. Ainda
usa a capa verde, botas de saltos altos e a máscara que cobria os
olhos, mas trocou o vestido por um colant roxo qeu cobre o corpo
todo.Apesar de sua popularidade nos shows de TV em 1966 a Mulher
Gato não volta a aparecer nas HQ's até uma ano e meio depois, em
Detective Comics #369 e em Batman #197, usando um uniforme inspirado
naquele da personagem das séries de televisão: uma máscara verde
com orelhas de gato.
 1969:
em Batman #210, a Mulher Gato aparece com novo uniforme: um colant
preto com uma longa cauda, meias brancas e máscara vermelha. Volta
a usar botas sem salto, mas agora com esporas e detalhes em vermelho.
Seus longos cabelos são trocados por cabelos na altura dos ombros.
A roupa preta e vermelha é usada em mais seis aparições e então
trocada pela fantasia clássica em 1975 em Batman #266. Ao invés
da saia na altura dos joelhos, desta vez chega aos pés, cobrindo
a perna inteira. O vestido tem duas fendas laterais, e as botas
de salto alto voltaram e agora, sensuais, chegam até o joelho.
Este
visual continua até 1987 com o Ano Um de Frank Miller. Como prostituta,
seu novo visual é elaborado. Em Batman #407 Selina usa uma roupa-gato
de couro preto, adaptada de uma roupa sado-masoquista. Desde então
a Mulher Gato sempre usou um 'uniforme' de Mulher Gato. No início
com uma cauda, que com o tempo foi removida por dificultar seus movimentos.
Na revista Showcase #1, de 1993, a roupa volta a ser roxa e com algumas
poucas variações é a que ela usa até hoje.
Para
a série de televisão do Batman Julie Newmar desenhou um traje que
deixava à mostra o seu corpo de dançarina. Era feito de lurex (lycra
brilhante como purpurina). Como acessórios, um colar de ouro que
servia como walktalkie, um cinturão dourado e botas de salto alto
com pinos de metal.
Em
1992 no filme "Batman, o Retorno" a Mulher Gato Michele
Pfeiffer usa roupa de látex preto, costurado de vários retalhos
de roupas que tinha em casa depois de sofrer um acidente.
Para a série animada de Batman que estreou
nos EUA em 1992 a Mulher
Gato tinha o cabelo negro original e usava roupa preta. Mas antes
que os episódios fossem feitos os produtores modificaram o design
tanto da Mulher Gato quanto do Pinguím, para que parecessem mais
com os personagens do filme. Então a Mulher Gato do desenho animado
tem um cabelo loiro como o de Pfeiffer e a roupa é cinza com botas
e máscara escuras, como um gato siamês.
 Além
dos uniformes oficiais a Mulher Gato sempre teve roupas especiais
para as mais diversas ocasiões, como este uniforme de tigre siberiano,
usado em uma aventura na neve. Na continuação da minissérie Cavaleiro
das Trevas a ex parceira de Batman, Robin, volta agora como uma Mulher
Gato de 16 anos e em cada missão tem um uniforme felino diferente.
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O Kittycar, versão felina do Batmóvel usada pela
Mulher Gato nas primeiras aventuras.

Quando não está invadindo bancos ou coberturas de milionários atrás
de jóias, Selina fica em seu apartamento rodeada por seus muitos
companheiros felinos. Dentre eles: a gata preta chamada Hecate [3]
em Batman #47, um tigre chamado Rajah em Lois Lane #70, o gato Slinky
em Batman #210, uma gata siamesa também chamada Hecate em Batman
#266, a pantera negra camada Diablo que a acompanhou durante grande
parte das HQ's dos anos 80, um segundo siamês chamado Otto em Batman
#406, outra gata preta chamada Isis na série animada da televisão
(desenho animado), duas panteras negras Khan e Hun que pegou de
Thomas Blake (o Pantera) em Shadow of the Bat #44. No filme "Batman,
o Retorno" a gatinha preta de Selina, Miss Kitty, é parte importante
em seu renascimento como Mulher Gato. Além desses há ainda
muitos outros que nos quadrinhos não tiveram seus nomes revelados.

NOTAS
Todas as revistas mencionadas aqui são as americanas, não foi feita
a 'conversão' para as publicações nacionais.
[1] Batman ganhou a sua revista própria um ano depois de sua primeira
aparição na revista Detective Comics em 1939.
[2] No Brasil suas histórias aparecem na revista Batman, mensalmente
nas bancas, logo na capa da revista dá pra ver se tem aventuras dela
logo no ínidice da capa.
[3] Em alusão à deusa pagã das feiticeiras, também conhecida como
Hecatae |
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