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Trecho do livro Gatos, A Emoção de Lidar, da psiquiatra NiSE DA SiLVEiRA Entre 1946-1974 dirigi a seção de terapêutica ocupacional no Centro Psiquiátrico Pedro II. Optei por utilizar como método a terapia ocupacional, método considerado de importância menor e até mesmo subalterno. Contudo, minha intenção era reformá-lo completamente. [...] Para nós faltava-lhe algo, faltava-lhe emoção. Foi quando certo dia um rapaz freqüentador da Terapia Ocupacional, em vez de entrar numa das salas de trabalhos masculinos preferiu entrar na sala de atividades femininas atraído pelas qualidades latentes que pressentia existirem num pedaço de veludo estendido sobre a mesa da sala. Dirigiu-se à monitora Maria Abdo e perguntou: 'Posso com este pano fazer um gato?' [...] Completado o gato, Luis Carlos tomou um lápis e escreveu: 'Gato simplesmente angorá do mato / Azul
olhos nariz cinza / Gato marrom Enquanto manipulava seu gato de veludo, com surpreendente habilidade, Luis Carlos parecia feliz e disse: 'Como é macio! Sinto grande emoção de lidar com ele entre minhas mãos'. Essa expressão Emoção de Lidar foi ponto de partida para substituirmos o pesado título Terapêutica Ocupacional.
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