Estava a gatinha Tareca à sua porta sentada, afiando as finas unhas no veludo da almofada, com o seu guizo de ouro fino e a sua fita encarnada, quando a noticia lhe deram: que havia de ser casada com o bravo gato Tigre, filho do gato malhado.

Logo a gatinha, contente, foi festejar para o telhado. Sete gatos convidou para tocarem tambor, mais sete gatas cantoras, miando canções de amor. Dez dúzias de ratazanas encomendou para o jantar e uma pratada de espinhas para todos contentar.

Foi o bravo gato Tigre ter com a noiva ao telhado; ao bater da meia-noite deu-lhe o anel de noivado. Era tudo uma alegria.

Mas, por não ser convidada, resolveu tirar vingança a velha pulga malvada. Como uma agulha espetava, picava como um ferrão. Para se coçar rebolava o gato, com comichão. Caiu do telhado á rua e não mais se levantou. Ai o bravo gato Tigre, que já a morte o levou.

Sete gatos com tambores, sete gatas com miados choraram mais a Tareca os seus amores desgraçados. Mas como o gato era rico e fizera testamento, logo ali o foram ler naquele triste momento.

"À linda gata Tareca deixo o meu prato e a tijela mais um tapete de sala feito de pele de cadela. À dona que me criou deixo um pardal depenado, as penas que lhe tirei, a um careca, coitado.

Dois carapaus que roubei ofereço à minha mamã. Dou aos meninos da escola a minha bola de lã. Para ver o que se passa, mesmo depois de acabado, com a cabeça de fora eu quero ser enterrado."

Cavavam-lhe a sepultura no canteiro do jardim quando ele miou três vezes. Nunca se viu coisa assim! Num pulo se pôs de pé, num salto foi para o telhado, com a gatinha Tareca casou, ficou bem casado.

Hoje a gatinha Tareca, à sua porta sentada, brinca com sete gatinhos, todos da mesma ninhada.

Enviado por SUZANA MENDES
o gato que r i m a
í n d e x
m a p a