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Vem cá, meu gato, aqui no meu regaço;
Guarda essas garras devagar,
E nos teus belos olhos de ágata e aço
Deixa-me aos poucos mergulhar.
Quando meus dedos cobrem de carícias Tua cabeça
e o dócil torso,
E minha mão se embriaga nas delícias
De afagar-te o elétrico dorso,
Em sonho eu vejo. Seu olhar, profundo
Como o teu, amável felino,
Qual dardo dilacera e fere fundo,
E, dos pés à cabeça, um fino
Ar sutil, um perfume que envenena
Envolvem-lhe a carne morena
trecho do poema
de C. BAUDELAiRE
thanks to CARPE
DiEM |

Os animais foram imperfeitos, / compridos
de rabo, tristes de cabeça. / Pouco a pouco se foram compondo,
/ fazendo-se paisagem,adquirindo pintas, graça, vôo. / O gato,
/ só o gato / apareceu completo e orgulhoso: / nasceu completamente
terminado, / anda sozinho e sabe o que quer. / O homem quer
ser peixe e pássaro / a serpente quisera ter asas, / o cachorro
é um leão desorientado, / o engenheiro quer ser poeta, / a mosca
estuda para andorinha, / o poeta trata de imitar a mosca, /
mas o gato / quer ser só gato / e todo gato é gato / do bigode
ao rabo, / do pressentimento à ratazana viva, / da noite até
os seus olhos de ouro. / Não há unidade como ele, / não tem
a lua nem a flor / tal contextura: / é uma coisa só / como o
sol ou o topázio, / e a elástica linha em seu contorno firme
e sutil é como / a linha da proa de uma nave. / Os seus olhos
amarelos / deixaram uma só ranhura / para jogarem as moedas
da noite
trecho do poema de PABLO NERUDA
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