Nosso
adorado Mini morreu nessa madrugada, 10 de junho. daqui a 18 dias
seria seu aniversário de 16 anos. Mini foi um rei, uma criatura
brilhante e engraçada. Mesmo muito fraquinho, sem conseguir
mais se levantar, teve animo pra comer um punhado de catnip que comprei
só pra ele. Morreu dormindo, na mesma posição
em que estava na caixa forrada com cobertores macios e catnip, quando
eu fui dormir. Mini, o gato de olhos azul limão, querido.
Por
um punhado de dólares
Eu morava no primeiro andar de um prédio no Leblon. Meu apartamento
tinha um terracinho, como um quintal, construído em cima da garagem.
Esse terraço dava fundos para as varandas dos outros apartamentos.
Eu morava com seis gatos. Mini é filho da siamesa Nikita e
do gato
vaquinha Nico. Mini, vaquinha como o pai, foi o menor da ninhada.
Faz 15 anos dia 28/06/2008. Nessa época tinha um ano. Bom,
um dia volto do trabalho, era terça feira, dia da Lene fazer faxina,
abro a porta e vejo bem no meio da sala um relógio Seiko prateado
e um bombom Sonho de Valsa. Pensei "a Lene estava com pressa
hoje..." Dias depois apareceu na cozinha um chaveiro com as chaves
de um Fiat. "Quem esqueceu isso aqui e nem ligou?"
Desci para tomar um sorvete. A síndica me encontrou na portaria e
disse meio sem graça que "o coronel do segundo andar disse que
seu gato roubou o relógio dele" e fala baixinho: "Vai lá
conversar com ele, vai... acho que ele está maluco..." Respondi
meio no piloto automático: "Acho que não." Toco a
campainha no segundo andar.
O coronel é gentil, adora bichos, diz que o gatinho preto e branco
vem sempre ver TV com ele, e um dia pulou a janela de volta pra casa
com uma coisa brilhante na boca. Só
mais tarde, diz ele, ao procurar pelo relógio que estava no criado
mudo e não encontrar...
"Um Seiko prateado?" pergunto, morta de vergonha... claro
que era. Vou em casa, volto com o relógio, o bombom e o chaveiro.
O coronel agradece, diz que o bombom pode ficar para o gato, mas aquelas
chaves não eram do seu carro! Corri na portaria, disse que achei o
chaveiro no elevador.
Sempre ganhei presentes de meus gatos: folhas secas, uma lagartixa,
um ratinho, baratas mortas, pedaços de papel, coisas assim que os
gatos dão mais valor. O Mini não entende muito de estilo, mas
sabe como agradar um humano! Conversando depois com o porteiro de
um prédio do outro lado do quarteirão, ouço ele contar a história
do gato ensinado da Venâncio Flores que roubava dólares dos apartamentos
vizinhos... Mini é uma lenda viva no Leblon.