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Amor radical
A roda da fortuna
Gato no sonho
A CURA
Encontro marcado
Scarlett Moon

Tenho o privilégio de conviver com animais desde que me lembro. Porém gatos eram um problema, pois tinha uma alergia terrível. De parar em pronto-socorro e tudo. Quando tinha 25 anos meu irmão ganhou um siamês da namorada, e naquela semana precisaria viajar e não tinha com quem deixar o bichinho. Ficou comigo o gato e uma dose prá elefante de anti-histamínico, porém antes que eu ficasse parecendo um tomate de olhos esbugalhados o gatinho, Ramses, adoeceu de maneira assustadoramente rápida, logo depois de meu irmão tê-lo deixado comigo. Corri para uma clínica veterinária, era uma rinotraqueíte muito feia. Fiquei acordada por três noites e dias inteiros dando doses de antibióticos e sei lá mais o que, e para o meu espanto minha alergia foi-se embora na primeira noite. Dois anos depois mudamos de casa e no novo apartamento encontrei, na garagem, a minha Tulipa. Magra, muito suja, mas meiga, meiga como eu nunca havia visto em animal algum. E ela ficou, conquistou minha mãe e o coração do Ramsés, que foi seu companheiro inseparável até a morte de Tulipa.
...
Neste meio tempo encontrei minha cara metade e casei. Foi na semana seguinte ao meu casamento que Tulipa se foi, nunca me conformei. Penso que se estivesse em casa ela nunca teria morrido. Na casa nova eu e meu marido decidimos não ter mais gatos. E assim foi até que numa visita à casa de minha prima o Munrá me esperava na porta. Era o bichinho mais feio que eu já havia visto, mas era feliz, brincava de um lado para o outro e era de ninguém. Era da rua, como minha prima disse. Peguei o gato e não larguei durante todo o tempo que estive na casa de minha prima. E só o soltei quando estava na minha casa, discutindo o nome dele com o meu marido.
Minha mãe nunca entendeu: dizia que os gatos são ariscos e fogem, que eu era maluca, que corria atrás deles até pegá-los. Bem, então ela viu: próximo ao mercado uma gatinha branca se postou em minha frente, miou prá mim. E fazer o que? Lá fui eu, minha mãe e a gata para a clínica. A gata estava muito doente e passei semanas tratando dela. Os gatos chegam em mim. Parecem pedir prá que eu os pegue.
Mas não parou por aí. Numa manhã eu ia para a escola e um gatinho caiu na minha cabeça, literalmente; eu estava passando por baixo de uma árvore não muito alta e acho que ele resolveu descer por minha cabeça. Levei o talzinho prá clínica: lá ele ganhou o nome de Corintiano e já foi adotado.

Então chega, é muito gato!!!!!!!!! Disse o meu marido, meu pai, irmão, mãe e até um pedacinho da minha consciência. NADA! outra noite fria e chuvosa de Curitiba, tinha acabado de sair do banho. Meu marido diz: - Dora, tem um gato miando lá fora. Fui só levar uma comidinha, mas não deu. Ele era muito, mas muito pequenininho. Todo desengonçado. Por ser assim desajeitado ganhou o nome de Ziriguidum: é o xodó do meu marido.

Fui visitar minha mãe. A distancia entre nossas casa dá prá fazer andando. Na volta pensei: - Vou trocar de caminho, estou com o pressentimento que se continuar por aqui vou encontrar um gato e meu marido vai me expulsar de casa.
Troquei de caminho e encontrei a Kochana ["querida" em polonês], que como todos os outros olhou prá mim, se achegou um pouco mais, deu um miadinho muito fraco e pronto, já estava no meu colo a caminho da clínica, onde constatou-se que em poucos dias eu teria, além dela, mais alguns gatinhos.prenha!!!!!!! Desta vez meu marido me mata!!!!!!!!

Voltei prá casa desconsolada com a gata no colo. Minha surpresa foi a reação do meu marido. Acho que ele entendeu o que acontece comigo e com os gatos. Tem agora dois meses que a Kochana e seus dois filhotes estão alegrando nossa casa. Hoje um casal de amigos veio ver o machinho, estão querendo adotá-lo. Meu coração está apertado, mas o meu apartamento também está. Não sei como esta minha história com gatos vai acabar, mas sei que a minha vida mudou muito desde que eles entraram na minha vida. Sou uma pessoa muito mais feliz, mais carinhosa, mais observadora, eles me ensinaram isto. |Dora|

os gatos da Dora estão no Livro de Ouro dos Gatos