
Só uma gatinha nasceu normal naquela ninhada. Os outros tinham
só 3 dedos em cada patinha e o rabo torto, cotó. Mas
não ligavam nem um pouco pra isso e eram bem espertos. O siamês,
parecido com a avó, era o maior de todos. Tinha a cauda torcida
e eu o chamei de BABE, como o porquinho do filme. Tinham 45 dias quando
começaram a comer ração. A outra irmãzinha foi logo doada.
Babe comia como um leão e era bem forte. Naomi, a pretinha, não.
Alternava uma disposição incrível para brincar com dias em que chorava
triste num canto. Começou a emagrecer. No veterinário soube
que a bichinha tinha tinha uma má formação interna, uma fístula. Era
pequena e muito fraca e a cirurgia
para corrigir esse defeito era complicada... Pessoas me diziam que
seria melhor sacrificar a gatinha. Eu não podia. Quando estava bem
brincava como se quisesse viver todo o tempo de sua vidinha em poucas
horas.
Ouvi falar de uma clínica especializada, Gatos e Gatos. Lá a doutora
Heloísa Justen disse que operaria a gatinha assim que ela pesasse
um quilo. Ainda levou 50 dias para chegar lá. Naomi foi operada
com sucesso, cresceu e engordou. Foi quando a bruxa infeliz que morava
ao lado envenenou meus gatos. Com a resistência baixa por causa do
envenenamento dois gatinhos recém resgatados da rua tiveram
panleucopenia, doença contagiosa e mortal. Logo todos os gatos da
casa estavam contaminados. Perdi dez gatos durante dois meses em que
eu pensei que também fosse morrer
de dor. Babe morreu. Naomi está viva e bem. É uma gatinha anã, tem
5 anos e tamanho de cinco meses. Valentona e mimada, bate em gatos
muito maiores que ela.
|